sexta-feira, 13 de março de 2009

O PODER DAS GRANDES BAILARINAS






Algumas pessoas dizem viver em tempos difíceis. Eu me sinto privilegiada de viver em tempos de globalização. Graças a modernidade, posso estudar muito e fazer pequisas. É cada vez mais acessível o material de que necessitamos para desfrutar de nossos conhecimentos. É só clicar o que se quer e lá está, muitos vezes por um caminho ou por outro, a sua pesquisa cai na sua mão, bem na frente dos seus olhos, e sem sair da cadeira.

Tempos difíceis? Já pensou como eram para as antigas bailarinas em tempos que não existia TV, rádio, avião, carro e nem se sonhava em computador? Muitas dessas bailarinas maravilhosas nasciam com a dança no sangue e depois houve uma sucessão de alunas umas das outras que se tornaram grandes nomes da dança. Com os adventos do século XX, onde os meios de comunicação e locomoção foram se ampliando, essas bailarinas foram espalhando sua dança por aqui e por ali, até chegar Samia Gamal em meados da década de 20 e levar a dança para Europa e Hollywood. Aí sim, começamos a ser felizes. Imagino que a partir daí, outras adeptas foram surgindo ao redor do mundo. Aliado a isso, com os adventos das guerras e invasões a dança foi se espalhando e sofrendo influências de outros povos.

Até bem pouco tempo em meus estudos, tive o conhecimento de que a primeira bailarina de que se tinha notícia seria a bailarina Badia Massabni. Era libanesa e modou-se para o Egito no início do século XX alguns anos mais tarde, no Cairo, abriu a primeira casa de shows do Egito chamada "The Opera Cassino" .
Mas recentemente obtive o conhecimento de duas outras bailarinas mais antigas ainda que Badia. Uma delas foi Shooq. Shooq atingiu o ápice de sua carreira em 1871 e depois dela muitas outras seguiram seus passos. Sua discípula direta foi Shafiqa Al-Qibtiyya, ou Shafiqa La Copta, que nasceu no Cairo em 1851. Suas primeiras apresentações foram em festivais folclóricos. Foi a primeira a dançar com o candelabro e abrir um espacate ao mesmo tempo. Shafiqa ganhou muito dinheiro mas também perdeu muito principalmente depois de tornar-se dependente de cocaína. Faleceu em 1926.
Depois dela então temos Badia Massabni, já mencionada acima. Anterior a elas pode-se encontrar notícias através das pinturas orientalistas, que retratam os costumes de um povo. Mulheres sofridas, escravas, dançarinas com seios a mostra e suas roupas transparentes, que pode ter sido um dos prinsipais fatores para se inciar o preconceito na dança, pois ao chegarem essas pinturas nas mãos dos ocidentais, já se tinha uma visão deturpada do que era a dança.
Muitas coisas aconteceram até essa dança chegar aos nossos dias. O interessante é ver o que cada uma contribuiu para que ela sobrevivesse. Cabe a nós, agora, que vivemos nosso tempo com as facilidades que ele nos permite, perpetua-la da melhor forma possível, combatendo os abusos e a vulgarização que alguns ainda insitem em propagar.
A precursora da dança do ventre no Brasil, a bailarina Shahrazad Shahid Sharkey, é uma das que mais luta pela não vulgarização da dança, sendo contra a oferta de dinheiro às bailarinas.
Amigas, o mais importante é valorizar nosso tempo e fazer dele o instrumento da boa divulgação da nossa profissão.
Grande beijo







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